NR 15 Anexo 3: NR que fala dos Limites de Tolerância para Exposição ao Calor

Um dos elementos responsáveis pela insalubridade do local de trabalho é o calor. A alta temperatura é prejudicial ao homem e, além de queimaduras, pode causar desidratação. No Brasil, a legislação que determina as atividades e operações insalubres é a NR 15.

Essa Norma Regulamentadora rege todos os agentes causadores de insalubridade como ruído, calor, radiações ionizantes e não-ionizantes, condições hiperbáricas, frio, umidade, poeiras e agentes químicos e biológicos. O Anexo III da NR 15 é o que trata especificamente da Exposição ao Calor.

A Exposição a Altas Temperaturas

Primeiramente, é preciso diferenciar conforto de sobrecarga térmica. Enquanto o conforto térmico é subjetivo, pois varia de acordo com o indivíduo e sua localização geográfica, a sobrecarga é mais técnica e leva em consideração cálculos para estabelecimento de sua tolerância, pois é resultante de diversas variáveis.

Por isso, uma empresa que preze pela legalidade de suas atividades e pelo bem-estar de seus funcionários deve estar atenta às medições de calor, à escolha de EPIs adequados e ao cumprimento do ciclo de trabalho e descanso.

A medição da Exposição ao Calor

Segundo o Anexo III da NR 15, é através do IBUTG, “Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo” que se pode medir a exposição ao calor. Os cálculos devem ser realizados de acordo com as seguintes equações:

  • para ambientes externos ou internos sem carga solar

IBUTG = 0,7 tbn (temperatura de bulbo úmido natural) + 0,3 tg (temperatura de globo)

  • para ambientes externos com carga solar

IBUTG = 0,7 tbn (temperatura de bulbo úmido natural) + 0,1 tbs (temperatura de bulbo seco) + 0,2 tg (temperatura de globo)

Para essa aferição, devem ser utilizados o termômetro de bulbo úmido natural, termômetro de globo e termômetro de mercúrio comum. Sendo a medição realizada no local de permanência do trabalhador e à altura mais atingida do corpo.

Os Limites de Tolerância

Local de descanso

Antes de determinar os Limites de Tolerância, é preciso definir o local de descanso do trabalhador, pois esse ambiente caracterizará o cálculo empregado. Se o funcionário tiver seu repouso no mesmo local em que realiza a sua atividade, o limite será menor que o de um colaborador com repouso em um ambiente com temperatura mais amena.

Classificação da atividade

Outra variável que influi na equação é a classificação do trabalho em LEVE, MODERADO e PESADO (constante no quadro nº3 da NR 15).

TRABALHO LEVE

  • Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia).
  • Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir).
  • De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços.

TRABALHO MODERADO

  • Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.
  • De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
  • De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.
  • Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar.

TRABALHO PESADO

  • Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá).
  • Trabalho fatigante.

Definidos esses dados, segue-se à fórmula mais adequada para os Limites de Tolerância em regime de trabalho:

Com períodos de descanso no próprio local de prestação de serviço

Em função do índice obtido, o regime de trabalho intermitente será definido no Quadro N.º 1 da NR 15, exposto abaixo:

QUADRO N.º 1

REGIME DE TRABALHO INTERMITENTE COM DESCANSO NO PRÓPRIO LOCAL DE TRABALHO (por hora) LEVE MODERADA PESADA
Trabalho contínuo até 30,0 até 26,7 até 25,0
45 minutos trabalho

15 minutos descanso

30,1 a 30,5 26,8 a 28,0 25,1 a 25,9
30 minutos trabalho

30 minutos descanso

30,7 a 31,4 28,1 a 29,4 26,0 a 27,9
15 minutos trabalho

45 minutos descanso

31,5 a 32,2 29,5 a 31,1 28,0 a 30,0
Não é permitido o trabalho, sem a adoção de

medidas adequadas de controle

acima de 32,2 acima de 31,1 acima de 30,0

Com período de descanso em outro local

É importante ressaltar que para que o local de descanso seja enquadrado neste item, é preciso que se estabeleça outro ambiente, diferente daquele em que se realiza o trabalho, com temperatura mais amena e onde o colaborador esteja em repouso ou exercendo atividade leve.

Dentro dessas exigências, pode-se obter, então, os Limites de Tolerância seguindo-se o Quadro nº 2, onde M é a taxa de metabolismo média ponderada para uma hora.

QUADRO N.° 2

M (Kcal/h) MÁXIMO IBUTG
175

200

250

300

350

400

450

500

 

30,5

30,0

28,5

27,5

26,5

26,0

25,5

25,0

 

Para se chegar ao cálculo de M, entretanto, aplica-se a fórmula seguinte:

M = Mt x Tt + Md x Td

60

Sendo:

Mt – taxa de metabolismo no local de trabalho (contida no Quadro nº 3 da NR 15).

Tt – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de trabalho.

Md – taxa de metabolismo no local de descanso (também contida no Quadro nº 3 da NR 15).

Td – soma dos tempos, em minutos, em que se permanece no local de descanso.

É importante ressaltar que os tempos Tt e Td devem ser tomados no período mais desfavorável do ciclo de trabalho, sendo Tt + Td = 60 minutos corridos.

QUADRO N.º 3

TAXAS DE METABOLISMO POR TIPO DE ATIVIDADE

TIPO DE ATIVIDADE Kcal/h
SENTADO EM REPOUSO 100
TRABALHO LEVE

Sentado, movimentos moderados com braços e tronco (ex.: datilografia).

Sentado, movimentos moderados com braços e pernas (ex.: dirigir).

De pé, trabalho leve, em máquina ou bancada, principalmente com os braços.

 

125

150

150

TRABALHO MODERADO

Sentado, movimentos vigorosos com braços e pernas.

De pé, trabalho leve em máquina ou bancada, com alguma movimentação.

De pé, trabalho moderado em máquina ou bancada, com alguma movimentação.

Em movimento, trabalho moderado de levantar ou empurrar.

 

 

180

175

220

300

TRABALHO PESADO

Trabalho intermitente de levantar, empurrar ou arrastar pesos (ex.: remoção com pá).

Trabalho fatigante

 

440

550

Já o IBUTG é o valor IBUTG médio ponderado para uma hora, determinado pela seguinte fórmula:

IBUTG = IBUTGt x Tt + IBUTGd xTd

60

Sendo:

IBUTGt = valor do IBUTG no local de trabalho.

IBUTGd = valor do IBUTG no local de descanso.

Tt e Td = como anteriormente definidos.

Ainda segundo a Norma Regulamentadora, os períodos de descanso serão considerados tempo de serviço para todos os efeitos legais.

Os EPIs adequados

Embora não conste na NR 15 e sim na NR 14, é sempre importante alertar para a escolha de Equipamentos de Proteção Individual adequados à função do trabalhador. A Alta Temperatura pode ocasionar sérios comprometimentos à saúde e segurança do profissional, por isso a necessidade de se utilizar EPIs em materiais refletivos como a Calça Aluminizada ou o Capuz Aluminizado.

Dessa forma, garante-se o bem-estar do funcionário e se mantém a produtividade da empresa que reduz os riscos de acidentes de trabalho ou ainda a aplicação de penalidades impostas pela NR 28.

Sabemos da importância das Normas Regulamentadoras e que, muitas vezes, a forma com que nos são apresentadas dá margem a dúvidas. Por isso, neste post trouxemos a NR 15 de forma mais pedagógica a fim de facilitar o seu aprendizado. Mas, se você continua com dúvidas sobre a NR 15, escreva aqui nos comentário que teremos prazer em solucioná-las! Ou, se tiver algum outro assunto referente à EPIs para Altas Temperaturas ou SST também pode sugerir conteúdos que possamos abordar. Este espaço é seu, fique à vontade!

Abraço,

Pedro Bezerra
SUPREMA | EPIs para Alta Temperatura